O Período de Abstinência

Por até três semanas após sua última sessão você pode sentir efeitos de abstinência. Esses consistem em dois fatores um separados e distintos:

  1. Anseios oriundos da abstinência de dopamina. Um sentimento vazio, inseguro, semelhante à fome, identificado como uma ‘ânsia’; um sentimento de ‘eu preciso fazer’.
  2. Gatilhos psicológicos causados por certos estímulos externos como comerciais, navegar pela internet, conversas de telefone etc.

Falhar em entender e diferenciar esses dois fatores distintos torna difícil alcançar o sucesso usando-se o método da força de vontade, e é a razão pela qual muitos tornam a cair na armadilha novamente. Apesar de os anseios oriundos da dopamina não causarem dor, não subestime o poder desses anseios. Nós falamos de ‘morrer de fome’ quando passamos um dia inteiro sem comer. Nosso estômago pode roncar, mas não estamos morrendo de fato. Apesar disso, a fome é uma força poderosa e nós tendemos a nos tornar muito irritadiços quando privados de alimento. O processo é semelhante quando nosso corpo anseia por dopamina. Entretanto, a diferença reside no fato de que enquanto nosso corpo realmente precisa de comida, ele não precisa de veneno. Com a mentalidade correta, os anseios oriundos da abstinência podem ser facilmente superados e desaparecerem bem rápido.

Depois de nos abster por alguns dias, o desejo pela excitação que vem com a dopamina rapidamente desaparece. É o segundo fator – a lavagem cerebral – que provoca dificuldade. O usuário caiu na hábito de aliviar seus desejos e ânsias em determinados períodos, o que causa uma associação de ideias (“eu estou com uma ereção, então eu tenho que assistir pornô.”, ou então “eu estou na cama com o meu laptop, logo eu tenho que assistir pornô pra me sentir bem”). Este efeito é melhor ilustrado com uma analogia estranha: quando você está num carro e vê um sinal vermelho você para, e quando vê um sinal verde você segue. Mas e se em vez de seguir no sinal verde você ligasse o parabrisa?

Largar um vício é um processo semelhante. Durante os primeiros dias os gatilhos vão operar em determinados momentos, “indicando” os momentos propícios, como se ele te desse um sinal verde. Você vai pensar sobre como você quer assistir, e portanto contrariar essas pistas, esses sinais, é essencial desde a estaca zero. Desta forma, esses sinais e gatilhos rapidamente desaparecerão. Usando o método da força de vontade, já que o usuário acredita estar fazendo um sacrifício, ele se lamenta por não estar usando e fica esperando que as ânsias vão embora; longe de remover os gatilho, isso só os fortalece. De uma forma semelhante, sob o pensamento orientado por gurus, o usuário começa a pensar quando é que ele vai começar a se tornar um deus e até exige que ele não deve ter esse pensamentos influenciados pela pornografia, o que abre o caminho para fracasso e ódio por si mesmo.

Um gatilho comum é estar sozinho, particularmente em eventos sociais com amigos. O ex-usuário, usando outros métodos, já se sente péssimo por estar ‘sendo privado’ da sua muleta ou fonte de prazer. Seus amigos estão com suas parceiras e agindo de forma íntima. O usuário está solteiro ou não tem transado com sua parceira por um tempo, e agora não está mais aproveitando o que deveria ser uma situação social agradável. O condicionamento que existe no cérebro deles, o “tobogã”, leva eles a assistir pornografia, que é bem mais fácil pra eles do que tentar seduzir suas parceiras.

Por causa da associação que eles fazem entre a ideia de “merecer sexo” e bem-estar, eles estão sofrendo agora de um problema tríplice, e desta forma a lavagem cerebral se intensifica. Se eles estiverem determinados e conseguirem segurar a onda por tempo o suficiente eles eventualmente vão aceitar sua condição e seguir com as suas vidas. Entretanto, parte da lavagem cerebral permanece. O aspecto mais patético disso é que isso leva os usuários, mesmo tendo largado esse vício e estarem abstinentes por anos, a sentirem, em determinadas ocasiões, o desejo de fazer “só mais uma última visita pro harém”. Eles estão se enganando com uma ilusão que existe apenas na mente deles, e desnecessariamente torturando a si mesmos.

Até mesmo sob o método fácil, responder aos gatilhos é a causa mais comum de fracasso. O ex-usuário tende a considerar a pornografia digital como uma espécie de placebo ou pílula de farinha. Pensando, “Eu sei que a pornografia não me ajuda em nada, mas se eu pensar que ela ajuda, então em determinadas situações ela pode ser útil.” Uma pílula de farinha, apesar de não fornecer nenhuma ajuda fisiológica, pode proporcionar uma forte ajuda psicológica para aliviar sintomas genuínos e é, portanto, benéfica. A pornografia e a masturbação, entretanto, não são pílulas de farinha. Por quê? Porque a pornografia cria os sintomas que ela alivia, e não demora muito para cessar de aliviá-los por completo.

Você pode achar mais fácil de entender o efeito quando relacionado a um usuário que largou o vício há anos ou um não-usuário. Tome por exemplo o caso de um usuário que perde sua parceira. É bem comum, num caso como esse, que se diga para ele algo como “visita um sitezinho. Vai até te ajudar a se acalmar um pouco” Se a oferta é aceita, não vai ter nenhum efeito calmante, já que não há vício em dopamina e, portanto, nenhum sintoma de abstinência. Na melhor das hipóteses, tudo o que isso proporcionará é uma espécie de estimulo transitório.

Até mesmo depois de a sessão ter acabado, a tragédia continua estando ali. Na verdade, ela vai até aparentar ter aumentado porque a pessoa agora sofre das fissuras de abstinência, e vai ter que lidar com a escolha de resistir a elas, ou de alcançar o alívio escorregando pelo tobogã da pornografia, recomeçando assim a cadeia de miséria. Tudo o que o pornô proporciona é um estímulo transitório, do mesmo tipo que poderia ser alcançado através de um livro ou um filme agradável, até mesmo um de baixa qualidade. Muitos não-usuários e ex-usuários acabaram se “reviciando” como resultado de tais ocasiões. Que isso fique bem claro na sua mente: você não precisa da “onda” da dopamina e você está apenas se torturando mais e mais quando você continua a considerar o pornô como uma espécie de estimulante ou ponto de apoio. Não há necessidade de se colocar numa posição dessas.

Orgasmos não constroem boas relações. Na maioria das vezes, eles as destroem. Lembre-se de que não é totalmente verdade que aqueles que demonstram afeto de maneira pública realmente apreciam cada uma das ocasiões. Pode-se aproveitar a intimidade de forma privada, onde os parceiros podem responder uns aos outros sem nenhuma vergonha. Você não precisa ser um viciado em dopamina induzida pelo orgasmo. Se ele acontece como um resultado natural de uma série de eventos do dia-a-dia, tudo bem, mas é bom que se saiba aproveitar a vida e o momento sem ele.

Ao abandonar a ideia de pornografia como algo prazeroso em si mesma, muitos usuários pensam “se ao menos houvesse um pornô que fosse limpo.” Há, de fato, soft porn, e todos que experimentam dela rapidamente descobrem que é uma perda de tempo. Deixe claro para si mesmo que a única razão pela qual você tem usado pornografia é a onda da dopamina. Uma vez que você se livra da ânsia por pornografia você não vai ter mais necessidade de visitar seu harém virtual.

Quer as fissuras sejam causadas pela própria abstinência, quer por gatilhos, aceite-as. A dor física é inexistente, e com a atitude correta elas não serão um problema. Não se preocupe com a abstinência. O sentimento de abstinência não é tão ruim assim. É a associação que se faz entre esse sentimento e a ideia de querer assistir pornografia e sentir-se privado dela que é o problema. Em vez de lamentar por causa desse sentimento, reconheça-o: “*eu sei o que isso é. É a fissura de abstinência do pornô. É disso que os usuários sofrem por toda a vida e que os mantém viciados. Não-usuários não sofrem dessas fissuras. Esse é só mais um dos males desse vício ardiloso. Não é maravilhoso que eu estou removendo esse vício do meu cérebro?!”

Em outras palavras, pelas próximas três semanas você vai sentir como que um pequeno trauma dentro do seu corpo… mas durante essas três semanas e pelo resto da sua vida algo de maravilhoso vai estar acontecendo. Você estará se livrando de uma doença terrível, com os bônus sendo muito mais significativos do que esse pequeno trauma, e passará a apreciar as fissuras de abstinência. Elas se tornarão momentos de prazer, como um jogo excitante que tem como objetivo fazer a solitária que há dentro da sua barriga morrer de fome. Você precisa fazê-la morrer de fome por três semanas enquanto ela estará tentando te enganar para que você a mantenha viva.

Por vezes, você se sentirá horrível. Por vezes, você será pego com a guarda baixa. Você vai receber uma URL de um site pornô ou se deparar com alguma coisa online e esquecer que você parou, e sentirá uma pequena sensação de privação ao lembrar-se a si mesmo de que você parou. Esteja preparado para estes truques, e qualquer que seja a tentação, mantenha na sua cabeça que ela só está lá por causa do monstro dentro do seu corpo, e que toda vez que você resiste à tentação você ganha vantagem nessa batalha.

Seja lá o que você fizer, não tente se esquecer do pornô. Essa é uma das coisas que mais causa os usuários que tentam se abdicar pelo método da força de vontade horas de depressão. Eles arrastam-se dia após dia, esperando que eventualmente o esqueçam. É como não conseguir dormir – quanto mais você se preocupa por causa disso, mais difícil dormir se torna. Em qualquer caso, você não será capaz de esquecer do pornô, porque pelos primeiros dias o “pequeno monstro” tentará te lembrar e você não será capaz de evitar essas lembranças. Sempre que você tiver laptops, smartphones e revistas por perto você terá pistas constantes, lembrando-lhe do vício.

A questão é que você não precisa esquecer. Nade de ruim está acontecendo. Na verdade, algo de bom e maravilhoso está acontecendo, mesmo se você estiver se preocupando com isso mil vezes por dia. Aprecie cada momento, lembre a si mesmo de como é maravilhoso estar livre de novo. Lembre-se da profunda alegria de não ter que mais que torturar a si mesmo. Como dito anteriormente, você descobrirá que as ânsias e fissuras se tornam momentos de prazer, e se surpreenderá com quão rápido você se esquece do pornô.

O que quer que você faça, não duvide da sua decisão. Uma vez que você começa a duvidar, você começará a se lamentar, e as coisas tenderão a piorar. Em vez disso, use esse momento de lamentação e transforme-o em um motivador. Se a causa é depressão, lembre-se de que é o pornô que a está causando. Se um amigo te envia uma URL, orgulhe-se de poder falar: “eu estou feliz em dizer que eu não preciso mais disso.” Isto os magoará, mas quando eles virem que isso não está te incomodando eles estarão a meio caminho andado na trajetória de se juntar a você.

Lembre-se: você tem razões incrivelmente poderosas para parar de usar. Lembre-se dos custos e pergunte a si mesmo se você realmente quer arriscar o mal funcionamento do seu corpo, mente, e viver sob uma ilusão, pelo resto da sua vida. Tenha em mente que os esforços do pequeno monstro para minimizar os perigos aparentes; lembre-se de que a sensação é transitória, e que cada momento te traz para mais próximo do seu objetivo.

Alguns usuários temem que terão de passar por toda a vida revertendo “gatilhos automáticos”. Em outras palavras, acreditando que terão que passar toda a vida enganando a si mesmos, por meio da psicologia, com a ideia de que eles não precisam de pornografia. Este não é o caso. Lembre-se que o otimista vê o copo meio cheio e o pessimista o vê meio vazio. No caso da pornografia, o usuário o vê completamente cheio. Não há vantagens em assistir pornografia. É o usuário que sofreu lavagem cerebral para acreditar que há. Uma vez que você começa a contar para si mesmo que você não quer ou não precisa de pornografia, em um curto período de tempo você não vai nem precisar repetir mais. Você verá a verdade por si mesma: essa é a última coisa que você precisa fazer. Assegure-se de que não seja a última coisa que você fará.